Home | Trabalhe Conosco | RSS

 

 

 


04/03/2010

Hospital Ulysses Pernambucano

Artigo de João Alberto Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, alerta para as consequências do fechamento do Hospital Ulysses Pernambucano

A possibilidade da construção de um shopping center no Parque da Tamarineira e a conseqüente desativação do Hospital Ulysses Pernambucano é extremamente preocupante. Para a atenção em saúde mental no Estado e a psiquiatria pernambucana será uma perda irreparável.
O Ulysses, atualmente, abriga diversos serviços fundamentais para o tratamento de pacientes com transtornos mentais. Mais de uma centena de pessoas com diagnósticos que exigem regime de tratamento praticamente inexistente em outras unidades da rede de saúde são assistidas pelo hospital.
Ali também funciona uma emergência, ferramenta rara em Pernambuco, com capacidade para atendimento de 80 pacientes/dia e um CAPs. Existe ainda uma unidade de tratamento para dependentes químicos e o local mantém uma residência médica em psiquiatria para a formação de novos psiquiatras, profissionais igualmente em falta na região.
Enfim, o Ulysses Pernambucano é o principal instrumento da já deficiente estrutura de assistência em saúde mental do Estado. O complexo é a representação de um sistema diversificado e equilibrado, como o preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Sua desativação será desastrosa. E, pelo que se sabe, o processo não foi acompanhado por especialistas indicados pelo poder público que, em última instância, é o responsável pelas pessoas atendidas no local.
O que será dos pacientes? Após a desativação do hospital, em caso de emergência psiquiátrica para onde a população da região deve se dirigir? Pessoas com problemas de dependência química devem procurar ajuda em que unidade da rede pública? Respostas para essas perguntas não existem ou pelo menos ainda não foram apresentadas.
É óbvio que oferecer assistência médica para a população exige recursos financeiros. No entanto, arranjos nesse sentido devem ser bem avaliados e orientados pela regra de que a saúde dos cidadãos prevalece sobre interesses comerciais. Se os supostos proprietários da área exigem, agora, o pagamento de um aluguel pela utilização do espaço, de pouco menos de R$ 200 mil mensais segundo a imprensa, e se isso for justo, que o Estado assuma o ônus. Certamente os pernambucanos concordarão em ver o dinheiro dos seus impostos empregado nessa causa.
Vivemos em Pernambuco um momento de crescimento econômico e desenvolvimento social que beneficia toda a população. Mas é preciso refletir que progresso não se conquista apenas por meio de concreto e consumo, mas principalmente através da oferta de bem estar e cidadania para os habitantes.
A intenção de desativar o Ulysses Pernambucano deve ser discutida de forma mais transparente e ter a participação das autoridades e da sociedade civil que são, sim, partes interessadas. E a Associação Brasileira de Psiquiatria, a Sociedade Pernambucana de Psiquiatria e os psiquiatras do Estado, profissionais do mais alto nível técnico e sinceramente comprometidos com os pacientes e a prevenção, reivindicam seu espaço de direito na condução desse processo.
E, por fim, que esse caso, independente do desfecho, sirva como exemplo de que decisões que envolvam a saúde da população exigem responsabilidade e devem ser bem planejadas.

 

« Voltar

  Webmeeting
© 2010, Todos os direitos reservados. Ligue 55+ (11) 4123.1419
Av. Francisco Prestes Maia, 275 - Sala 11A
Centro - São Bernardo do Campo
       
A reprodução do do conteúdo deste site é permitida em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico, 
desde que citada a fonte e/ou com autorização da Assessora Comunicação. Política de Privacidade.