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25/01/2010
Crack: assistência ao dependente não é suficiente, diz especialista
Campanha do Ministério da Saúde alerta para perigos da droga, mas rede de atendimento para dependentes químicos não supre demanda
“Nunca experimente o crack. Ele causa dependência e mata”. Esse é o slogan da campanha lançada no dia 16 de dezembro de 2009 pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de frear a disseminação do consumo de crack no Brasil. Através de propagandas na televisão, rádio, jornais, revistas e sites, o governo espera alertar os jovens sobre os perigos da droga.
A iniciativa também produziu panfletos informativos sobre o assunto. Num deles, há a informação de que existem casos onde se faz necessária a internação do indivíduo. O informativo segue dizendo que para isso "existem leitos em hospitais, emergências e CAPS III (que funcionam 24 horas)". Entretanto, a realidade do país não oferece o tratamento e a assistência adequados àqueles que procuram auxílio especializado.
De acordo com o psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), a campanha é uma ação importante para combater o problema, mas a estrutura para os que buscam ajuda é insuficiente. “Todo esforço que defina políticas públicas relacionadas à prevenção e assistência conta com o apoio da Abead. Porém o que vemos hoje é a desassistência dos serviços públicos em saúde mental e dependência química”. Para o especialista, a oferta existente não cobre sequer os casos de alcoolismo, por exemplo, e deve ser sistematicamente ampliada, tanto em vagas ambulatoriais nos CAPS, quanto em leitos em hospitais gerais.
Segundo levantamento do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas da UFRGS, realizado em 2008, o crack é responsável por 39% dos atendimentos psiquiátricos no Brasil. Subproduto da cocaína, a droga é considerada barata e possui um alto poder de dependência. Além disso, tem se percebido que o consumo da droga vem migrando das classes mais baixas para jovens mais endinheirados progressivamente.
Questionado sobre quais medidas podem ser tomadas para conter o avanço do problema, Carlos Salgado foi categórico. “São necessárias políticas públicas e fiscalização rigorosa no sentido de banir o uso de tabaco e álcool por menores, que são as maiores portas de entrada para o uso de substâncias como cocaína e crack. Além disso, como estamos diante de um processo crônico de desassistência em atendimento de saúde, é necessário mudar o rumo e ampliar toda a hierarquia da rede de atenção, desde a unidade básica de saúde e o Programa Saúde da Família, até os serviços de nível terciário com retaguarda de internação hospitalar”, enfatizou o psiquiatra.
Assessoria de Imprensa Abead
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