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09/06/2009

Prevenção ao suicídio

Debate com representantes da ABP e veículos de imprensa aconteceu dia 05 de junho, durante a feira Hospitalar 2009, realizada na capital paulista

A ABP iniciou mais um programa voltado ao esclarecimento da população sobre saúde mental. A Associação realizou um debate inédito com profissionais dos principais veículos de imprensa do país para discutir a abordagem do suicídio na mídia.

O evento, que teve apoio da AMB, foi realizado na Hospitalar 2009 – a maior feira de saúde da América Latina, na última sexta-feira, dia 05/06. “Conquistamos um importante espaço. O debate foi altamente produtivo porque pudemos prestar esclarecimentos aos jornalistas e ouvir seus questionamentos e dificuldades”, avaliou o presidente da ABP, João Alberto Carvalho.

Também participaram da atividade os psiquiatras Carlos Cais, de Campinas (SP), e Jair Segal, de Porto Alegre (RS), que abriu os trabalhos. O médico gaúcho expôs dados de uma pesquisa genética sobre o comportamento suicida e enfatizou dados significativos sobre o suicídio - a terceira causa de morte entre jovens (15-35 anos).

O pesquisador também destacou a alta incidência do problema em algumas regiões,como o sul do País: Florianópolis e Porto Alegre estão entre as três capitais brasileiras com maior índice de suicídios.

Segal ressaltou ainda que as mortes por suicídio encontram-se estáveis, ao contrário das outras causas externas de óbito, como acidentes de trânsito e homicídios. “Isso demonstra que faltam ações preventivas e políticas públicas, como as campanhas de educação no trânsito que tiveram reflexos positivos na sociedade”.

O psiquiatra também ressaltou que 90% das pessoas que cometeram suicídio tinham algum transtorno mental, o que demonstra uma possibilidade real de prevenção. Provocado pelos jornalistas presentes, Segal aprofundou a explicação sobre a neurobiologia na tentativa do suicídio, que correlaciona a atividade serotoninérgica a fatores genéticos, ao sexo masculino, a abusos na infância, uso de drogas e colesterol baixo.

Papel da mídia
O psiquiatra apresentou estudos que demonstram o reflexo direto da abordagem do suicídio pela mídia no comportamento social. Uma das pesquisas citadas aponta que depois da exibição de uma série de TV, na Alemanha, cuja chamada mostrava jovens se jogando nos trilhos do metrô, o número de mortes por ato suicida, sob o mesmo cenário, aumentou cinco vezes naquele país. “Quando a série acabou o número de suicídios caiu, mas quando foi reprisada os casos voltaram a surgir”, afirmou Cais.

O médico também apresentou boas práticas que podem ser adotadas pela imprensa no noticiário de mortes por suicídio. “Ao contrário do que de pensa, os veículos de comunicação têm de noticiar o suicídio. O problema está na maneira de como o fato é divulgado”, afirmou o psiquiatra paulista.

Para Cais, o principal problema está na “glamourização” do ato suicida e na identificação de forma simplista da causa do ato. “Uma pessoa que comete suicídio após o fim de um relacionamento, por exemplo, apresenta um quadro muito mais complexo do que o apresentado na matéria. Também não é recomendável mostrar a comoção em torno desta morte porque pode associá-la a um ato de heroísmo”.

Debate

Os jornalistas mostraram-se interessados em receber orientações da ABP sobre como abordar o tema suicídio na mídia e fizeram sugestões, entre elas a expansão desta iniciativa junto a editores. “Foi um debate aberto, onde pudemos trocar ideias e, sobretudo, apresentar informação de qualidade a formadores de opinião. Esta é apenas a primeira de muitas ações da ABP nesse sentido”, afirmou João Alberto Carvalho.

O presidente da Associação enfatizou que o objetivo do debate foi discutir alternativas para a ampliação do papel da mídia na prevenção ao suicídio e encontrar, em conjunto com os jornalistas, alternativas éticas para o esclarecimento da população.

João Alberto também falou aos jornalistas que a ABP elegeu a prevenção ao suicídio como tema central das suas ações no período 2009-2010. Dentre elas, destacam-se a publicação de um manual voltado para a população leiga, nos moldes do programa ABP Comunidade, além de folhetos e material educativo. “Também faremos uma campanha nacional de esclarecimento e prevenção ao suicídio, com uma série de entrevistas e vídeo institucional”, explicou,

Como sequência ao debate, a ABP vai incluir um novo capítulo – sobre suicídio – em seu Manual de Imprensa.

Jornalistas atentos às explicações dos psiquiatras

 

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