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24/11/2008

Crack é responsável por 39% dos atendimentos psiquiátricos

Especialistas alertam sobre epidemia e malefícios da droga

Um estudo realizado em diversos centros de atendimento em dependência química das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador revelou que 39% dos pacientes que buscaram tratamento queriam se abster do uso de crack.

A pesquisa, coordenada pelo Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas da UFRGS e financiada pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), teve duração de 2 anos e avaliou a procura por auxílios ambulatoriais e de internação nas quatro capitais.

“Fizemos essa pesquisa em um momento em que temos uma epidemia de crack em diversas cidades do país”, informa o psiquiatra Felix Kessler, que coordenou a pesquisa. “Infelizmente esse aumento do número de usuários e atendimentos coincidiu também com a reforma psiquiátrica na saúde publica, que prevê o aumento de leitos para pacientes que precisam tratar problemas de saúde mental”, lembra o psiquiatra.

Para a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Analice Gigliotti, é preciso desenvolver ações específicas para o controle do uso da substância. “Estamos falando de uma droga muito agressiva. O crack tem um alto poder de vício e é barato. Quando consumido, leva 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos”, explica.

“Se os prazeres físicos e psíquicos chegam rápido, os sintomas da síndrome de abstinência também não demoram. Em poucos minutos, surge de novo a necessidade de inalar a fumaça de outra pedra de crack. E, assim, surge um novo dependente”, comenta a psiquiatra.

A maioria dos usuários de crack que buscaram ajuda especializada são homens (81,9%) jovens (a média de idade é 31 anos, abaixo da geral, de 42). Eles apresentaram mais problemas psiquiátricos, legais e familiares que os outros pacientes. O nível de desemprego, por exemplo, ficou em 52,2%.

A pesquisa também revelou que 17% das pessoas que foram aos serviços de internação e ambulatório psiquiátrico eram usuários de cocaína e 43,6% tinham problemas com álcool e outras drogas.

Assessoria de Imprensa Abead
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