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27/06/2008
Abead alerta sobre consumo de drogas lícitas
Relatório da UNODC divulgado ontem (27) também constata maior consumo do álcool e cigarro
O dia 26 de junho foi definido pela ONU como Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas. Aproveitando a data, o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) divulgou ontem (26/08) o Relatório Mundial sobre Drogas 2008.
O documento aponta que cerca de 208 milhões de pessoas-- 4,9% da população mundial-- usaram drogas ao menos uma vez nos últimos 12 meses, e 26 milhões --0,6% da população-- são dependentes de drogas.
Segundo o relatório, os usuários de drogas ilegais representam apenas uma pequena parcela do problema se comparados aos consumidores de álcool e tabaco. Cerca de 2,5 milhões de pessoas morrem anualmente em razão do consumo de álcool. Entre os fumantes, o número é de 5 milhões. As drogas ilícitas são responsáveis pelas mortes de 200 mil usuários no mesmo período de tempo.
De acordo com o documento, os mecanismos de controle nacionais e internacionais das drogas conseguiram reduzir a demanda, mas não a oferta dos narcóticos. A produção foi impulsionada pelas plantações de ópio no Afeganistão e de cocaína nos países andinos. O relatório aponta que o tráfico aumentou nas regiões controladas por insurgentes.
A presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Anaçice Gigliotti, destaca o crescimento do consumo das chamadas drogas lícitas, como o cigarro e o álcool. "O fumo e o alcoolismo são problemas crônicos no país".
Ela também alerta para os dados do I Levantamento Domiciliar sobre Drogas Psicotrópicas: 6,9% da população afirmaram ter feito uso de maconha, 5,8% de solventes e 2,3% de cocaína. No total, quase 20% dos pesquisados experimentaram um tipo de droga.
Segundo Analice, nos últimos anos, o perfil do usuário de drogas vem se modificando: a incidência de uso e dependência no sexo feminino tem crescido. Da mesma forma, pesquisas internacionais mostram que os jovens e adolescentes começam a utilizar essas substâncias cada vez mais cedo, o que, segundo os especialistas, é perigoso. "Sabemos que a experiência precoce potencializa as chances de o usuário adquirir dependência e traz danos significativamente maiores à saúde geral desses indivíduos", comenta.
De acordo com a presidente da Abead, além da iniciação precoce e do uso mais comum entre mulheres, outro fator tem preocupado a comunidade científica brasileira: o crescimento do consumo de crack e cocaína, drogas que trazem graves conseqüências para a saúde do usuário e que produzem uma dependência química de difícil tratamento. Entre as principais conseqüências do uso crônico da cocaína estão alguns distúrbios cardiovasculares, ataques do coração, efeitos respiratórios como dor no peito e dificuldade de respirar, efeitos gastrointestinais como dores e náuseas, além de distúrbios psiquiátricos como depressão, ansiedade, irritabilidade, distúrbios do humor e paranóia.
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