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Uma experiência
Postado por: Danilo Maeda
Aqui na Assessora, um dos clientes mais importantes é a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Além da assessoria de imprensa, cuidamos de toda a comunicação dessa entidade, que atua no Brasil inteiro e tem mais de 5 mil associados.
Um dos “produtos” que realizamos para eles é um jornal de reportagens enviado mensalmente aos médicos ligados à Associação. Até dezembro, o nome da publicação era ABP Notícias. Em janeiro, fizemos algumas mudanças editoriais e o jornal passou a se chamar Psiquiatria Hoje.
Como o projeto editorial privilegia as reportagens, eu e a Carol fomos, cada um em um fim de semana, para cidades do Vale do Itajaí, em Santa Catarina (região que mais sofreu com as enchentes e desabamentos no final do ano passado).
Lá, nós acompanhamos a primeira fase de um treinamento realizado pelos médicos da ABP para os profissionais que cuidam dos desabrigados e desalojados (entenda a diferença aqui). Os problemas mais urgentes já foram controlados com eficiência, mas as sequelas vão muito além do que imaginávamos.
Pesquisas internacionais mostram que desastres e catástrofes abalam significativamente a saúde mental da população afetada. Cerca de 20% das pessoas que sobrevivem a esse tipo de experiência desenvolvem transtornos mentais por conta dos traumas enfrentados. A maior parte dos casos aparece em até dois anos após a situação emergencial.
Por isso, os psiquiatras desenvolveram um trabalho de prevenção, que consiste em treinar os agentes de saúde e líderes comunitários a identificar casos de risco e encaminhá-los para centros de atendimento especializado. O trabalho é voluntário e os custos (passagem, hospedagem e alimentação dos professores) são pagos pela Secretaria Estadual de Saúde.
A primeira parte do trabalho foi voltada a oferecer suporte às pessoas que estão cuidando de quem está nos abrigos ou na casa de parentes e amigos. Encontramos médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, professores, líderes comunitários e outros profissionais mentalmente desarranjados pelo excesso de trabalho e pela necessidade de conviver com problemas que não podem solucionar, como a reconstrução de casas ou o retorno a áreas de risco.
Os especialistas fizeram uma dinâmica de grupo para que os cuidadores falassem sobre seus sentimentos. Ao final da atividade, todos pareciam mais dispostos a enfrentar o novo cotidiano, permeado pela exposição direta e constante às consequências do desastre.
Alguns participantes não contiveram o choro. A descoberta de que outras pessoas passam por dificuldades semelhantes serviu de alento e incentivo à continuidade do trabalho diário. Reconhecer as próprias fraquezas é o primeiro passo para superar situações difíceis. A consciência de que a luta não é solitária fortalece.
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